Cautela Hoje Para Colher Bons Frutos no Amanhã

investimento_na_crise_então_CRIEPaulo Henrique Pacheco de Mello aponta que o momento de crise é notável, mas o catanduvense, assim como o brasileiro, vai conseguir superar as dificuldades.

Em entrevista ao O Regional por Cíntia Souza

 

O Regional – Como teve início sua vida empresarial? Vem de uma família de empresários ou não?

Paulo Henrique Pacheco de Mello – Minha vida empresarial começou há muito tempo, pois acredito que nascemos para a função, apenas somos lapidados com o tempo. Comecei minha vida profissional aos 18 anos, vendendo auto-peças com pronta entrega, pois, meu pai era do ramo, trabalhou a vida toda em uma única empresa. Eu comecei viajando por toda nossa região, aos 20 anos passei em concurso público na extinta Nossa-Caixa Nosso-Banco, onde também continuava com as vendas. Em 1987 comecei a namorar minha esposa e meu sogro me convidou para trabalhar com ele no Romão Máquinas, empresa no ramo de móveis para escritório, lá se vão 29 anos. Comecei como vendedor externo e fui aprendendo dia-a-dia a lidar com cada situação, com cada decisão, na verdade a cada dia meu sogro me abria uma nova porta, uma nova oportunidade, e me apresentava um novo ensinamento e com ele fui construindo minha vida profissional, acredito que nestes anos juntos, fizemos uma grande dupla, deixamos a empresa mais sólida.

 

O Regional – Está no ramo há mais de 20 anos. No início quais foram as principais dificuldades?

Paulo Henrique Pacheco de Mello – Foi um aprendizado, sinto orgulho em ser empresário, acredito que somos a mola propulsora do país, somos quem gera empregos, quem paga impostos, somos quem tem coragem de enfrentar obstáculos. O que sempre nunca é demais é conhecimento, portanto acredito que para qualquer situação a falta de conhecimento sempre atrapalha, por isso a ACE Catanduva vai investir na capacitação do empresariado e de seus colaboradores.

 

O Regional – Olhando as décadas que se passaram, quais foram os pontos mais marcantes?

Paulo Henrique Pacheco de Mello – Fazendo um retrospecto, a década de 80 foi marcada pela alta inflação onde alguns souberam aproveitar oportunidades e construíram uma base sólida, outros não conseguiam suportar a carga de juros e instabilidade de mercado, perdendo tudo o que tinham. Na década de 90 a partir da metade dela exatamente, conhecemos o que foi estabilidade econômica, na minha modesta opinião, foi um tempo muito bom, onde pudemos desfrutar de um tempo sem inflação, sem especulação de mercado. Na verdade tínhamos ai um ganho real, espaço este que perdurou até metade da década de 2000, daí para frente acredito que viemos perdendo alguns ganhos, viemos ganhando outros, mas se olharmos mesmo no meu ponto de vista a estabilidade financeira e um mercado competitivo, fez do período de 1995 a 2005 o melhor tempo de nosso país.

 

O Regional – Quais sãos as expectativas para o futuro?

Paulo Henrique Pacheco de Mello – Sou muito otimista, mas vejo esse período com cautela, e como diz um velho marinheiro “em águas bravias, navega-se devagar, mas sem parar”, vai passar, por isso vejo o futuro com muito bons olhos, somos um povo lutador, voluntarioso, não desistimos, não existe tempo ruim que dure para sempre, tenho certeza que logo essa situação passa, acredito que seja o tempo de resolver a crise política e recuperarmos os investimentos e o crescimento.

 

O Regional – Os boatos de que grandes empresas estão fechando atrapalha a economia local? Essas ondas refletem a realidade da cidade?

Paulo Henrique Pacheco de Mello – Acredito que o que dá publicidade é coisa ruim mesmo, boatos de desgraça são os preferidos, mas Catanduva teve nestes últimos tempos uma perda significativa de vagas de empregos, seja com diminuição de vagas e até fechamento de empresas, boatos são ruins, mas a realidade ruim é pior ainda, teremos que ter paciência e força para recuperarmos essas perdas, vamos ter que nos unir e para isso a ACE Catanduva existe, para nos unir em prol de um futuro melhor, de um comércio mais forte, de uma indústria mais produtiva, fazendo o empresariado mais forte, com ações eficazes em todos os setores.

 

O Regional – Mesmo as grandes empresas estão sofrendo com a crise financeira em Catanduva?

Paulo Henrique Pacheco de Mello – As empresas de um modo geral vêm sofrendo e muito, em Catanduva e em todo país, nossa carga tributária é altíssima, nossa lucratividade foi achatada, as taxas de juros também são altíssimas, ou seja, grandes, médias e pequenas empresas, não importando o porte, sofrem, pois neste cenário a administração de uma empresa fica cada vez mais difícil.

 

O Regional – O empresariado vê de que forma essa situação financeira atual? É reversível?

Paulo Henrique Pacheco de Mello – O empresariado está acuado, mas tenho certeza que esse período passa e logo estaremos novamente retomando a normalidade e o principal, retomar o crescimento e o progresso de nossa cidade, temos empresários muito bons e atuantes em nossa cidade, que sabem fazer a diferença.

O Regional – Existe empresário que sente menos a crise?

Paulo Henrique Pacheco de Mello – Pode até ter empresários que sintam menos, mas que não estejam sentindo, acredito que seja muito difícil, é uma situação dominante.

 

O Regional – Quais são os setores mais afetados na cidade? E os menos afetados?

Paulo Henrique Pacheco de Mello – Todos os setores estão afetados, uns menos outros mais, até da mesma área uns sentem mais e outros menos, uns administram melhor na crise, com mão de ferro mesmo, segurando gastos e direcionando os investimentos de forma correta.

 

O Regional – Quais as ações da nova diretoria da ACE, o que pretendem fazer?

Paulo Henrique Pacheco de Mello – A ACE Catanduva é a casa do empresário, nossas portas estão abertas a todos, voltamos a ter a Diretoria Empresarial Feminina, a Diretoria do Jovem Empresário, queremos juntos fazer uma administração para o futuro, juntos organizaremos cafés-da-manhã empresarial, com rodadas de palestras e ambiente networking. Fortaleceremos a nossa rede de convênios, buscaremos mais parcerias com SENAC, com o SEBRAE, com a FACESP, com o Sincomércio, com o Poder Público, com planos de saúde, entre outros, criando um catálogo de serviços aos nossos associados.

 

O Regional – O que pretendem trazer para os empresários, para melhoria nas empresas?

Paulo Henrique Pacheco de Mello – Traremos mais cursos, treinamentos e palestras, para melhoria da gestão das empresas e seus colaboradores, entendo que qualificando empresários e colaboradores, promoveremos o crescimento e o desenvolvimento de nossa cidade.

 

O Regional – O que os empresários podem esperar da nova diretoria da ACE?

Paulo Henrique Pacheco de Mello – Assumimos o compromisso do trabalho e da dedicação a Associação e a seus associados. Assumimos uma instituição fundada há 85 anos, com um portfólio enorme de serviços, construídos ao longo destes anos, uma forte representatividade junto ao poder público e uma imagem respeitada junto a classe empresarial e toda a sociedade. Honraremos esta história e daremos nossa contribuição na construção de novos projetos e novas ações, o mais importante de tudo será termos uma diretoria coesa e atuante, onde todos trabalhem em prol do melhor para nosso comércio e nossa cidade.

 

Fonte: http://www.oregional.com.br/

 

 

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